Instituição, Linguagem e Liberdade - Hélio Pellegrino
Exemplo fundamental de institucionalização libertadora nos é dado pela linguagem. A linguagem é a institucionalização da necessidade humana de intercâmbio alteritário. Ela permite que a comunicação intersubjetiva transcorra ao nível do simbólico, isto é, a partir de um termo terceiro, consensual, social, cuja estrutura garante a inteligibilidade dos discursos. O código linguístico, patrimônio comum, é esse termo terceiro, a partir do qual os sujeitos se fundam.
Para que o código linguístico seja comum a todos, ele exige – de todos – um pacto e um consenso. Tenho que abrir mão de minhas representações imaginárias, pessoais e intransferíveis para inscrever-me no simbólico. O simbólico exige uma gramática, uma sintaxe, um código que seja comum a todos. Ele implica, portanto, uma renúncia de todos – extensiva a todos – para que a comunicação se torne possível.
Há, no código linguístico, uma estrutura profunda, a langue, a partir de cuja lógica se torna possível a construção do discurso de cada um. A parole, invenção de cada um, uso livre que cada um faz do código, só é possível a partir da langue. A langue é contrainte, é regra, prescrição, interdição. Ao assumi-la, o sujeito humano se torna capaz da parole – isto é – da invenção de si mesmo.
Eis aí onde a necessidade – e o conhecimento da necessidade – podem transformar-se em liberdade. A gramática, a sintaxe, a lógica profunda da linguagem constitui, enquanto contrainte, a necessária condição da liberdade. Quanto mais me sujeito à langue, mais elegante e dançarina vai ser minha parole de sujeito livre. A linguagem, enquanto forma de comunicação privilegiada e institucionalizada, constitui o modelo perfeito da perfeita instituição. Nela a necessidade serve à liberdade, o peso ao vôo, a dimensão comunitária à aventura da pessoa que se inverte.
Instituição, Linguagem e Liberdade
Hélio Pellegrino
PELLEGRINO, Hélio. Instituição, linguagem e liberdade (excerto),
A Burrice do Demônio, pg 18, 3ª. edição, Rocco, RJ,
Para que o código linguístico seja comum a todos, ele exige – de todos – um pacto e um consenso. Tenho que abrir mão de minhas representações imaginárias, pessoais e intransferíveis para inscrever-me no simbólico. O simbólico exige uma gramática, uma sintaxe, um código que seja comum a todos. Ele implica, portanto, uma renúncia de todos – extensiva a todos – para que a comunicação se torne possível.
Há, no código linguístico, uma estrutura profunda, a langue, a partir de cuja lógica se torna possível a construção do discurso de cada um. A parole, invenção de cada um, uso livre que cada um faz do código, só é possível a partir da langue. A langue é contrainte, é regra, prescrição, interdição. Ao assumi-la, o sujeito humano se torna capaz da parole – isto é – da invenção de si mesmo.
Eis aí onde a necessidade – e o conhecimento da necessidade – podem transformar-se em liberdade. A gramática, a sintaxe, a lógica profunda da linguagem constitui, enquanto contrainte, a necessária condição da liberdade. Quanto mais me sujeito à langue, mais elegante e dançarina vai ser minha parole de sujeito livre. A linguagem, enquanto forma de comunicação privilegiada e institucionalizada, constitui o modelo perfeito da perfeita instituição. Nela a necessidade serve à liberdade, o peso ao vôo, a dimensão comunitária à aventura da pessoa que se inverte.
Instituição, Linguagem e Liberdade
Hélio Pellegrino
PELLEGRINO, Hélio. Instituição, linguagem e liberdade (excerto),
A Burrice do Demônio, pg 18, 3ª. edição, Rocco, RJ,

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