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Mostrando postagens de 2020

A vida sem trabalho - Stephen Kanitz

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  A vida será mais fácil para nossos filhos? Pergunte a seu filho como será o mundo em 2100. Ele tem muita chance de chegar lá, especialmente com os avanços da medicina. Curiosamente, o futuro de longo prazo é mais previsível do que o de curto prazo. Seu filho, caso ele tenha lido livros de ficção científica na infância, dirá que os robôs farão praticamente tudo. Haverá robô para limpar a casa e para buscar comida no supermercado guiado por GPS. Já há robô, que chamamos de e-mail, para entregar cartas em todas as partes do mundo. O Google já desempregou milhões de bibliotecários, porteiros de bibliotecas e editores de livros. Daqui cem anos, as máquinas farão praticamente tudo para nós e ninguém terá de trabalhar. Será um mundo de abundância. Nem robôs precisaremos fazer, porque um robô poderá fazer um outro robô. O único emprego que sobrará será para os engenheiros que projetam esses robôs. Serão menos que 1% da população, e provavelmente trabalharão por prazer e de graça. De...

Júnior - Nizan Guanaes

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Se quiser pensar diferente, ver como o mundo está mudando, ouça seus filhos, seus netos, a turma deles NASCI EM 9 de maio de 1958, numa casa bem modesta no Carmo. Tem gente que tem vergonha de sua origem. Eu tenho muito orgulho. O chão da nossa casa era de cimento, não havia água encanada. Tomávamos banho a partir de uma lata de água esquentada no fogo, usando a embalagem de queijo prato como cuia. Inesquecível. Televisão e refrigerante, só aos sábados. Meu avô era comunista ferrenho, me botava para ler Castro Alves, Monteiro Lobato. São essas coisas que dão forma à vida. Você é o que você é. A sua história é a sua maior diferença. O que só você pode contribuir será sempre a sua maior contribuição ao longo da sua vida toda. Hoje, tenho 52 anos, e tudo isso ecoa numa carcaça cada vez mais velha. Ter 52 anos é chato, mas a outra opção é dramática... Passei 157 dias no exterior no ano passado. Vendo, ouvindo, me reciclando e aprendendo. Sou de 1958, e não há quem seja de 58 que não precis...

A escola mais global do mundo - GILBERTO DIMENSTEIN

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A preocupação não é obter uma nota, mas desenvolver a capacidade de se entregar à aventura do conhecimento JÁ IMAGINOU passar todos os três anos do ensino médio viajando pelo mundo, que seria transformado numa sala de aula, e, para completar, receber um diploma aceito pelas melhores universidades? Suponha que, em cada cidade, você seja recebido por professores capazes de converter o que seria dado em sala de aula numa experiência. Por exemplo, aprender noções de biologia numa praia da Austrália, questões indígenas numa tribo do Equador, diversidade cultural na China ou tecnologia da informação em Bangalore, na Índia. É exatamente esse o projeto sem fins lucrativos que começa a ser implantado nos Estados Unidos. Chamado de Think Global School, é uma escola que não tem sede. O mundo é literalmente sua sala de aula. A primeira turma é composta de 16 estudantes de 11 países, cujo roteiro acadêmico prevê a visita a lugares como Estocolmo, Sidney, Hong Kong, Berlim, Bangalore e Cuenca (no Eq...

Direitos Humanos e protagonismo Social - Francisco Antonio Barbosa Vidal

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Para a construção de uma sociedade livre, justa e solidária, devemos buscar, por meio de todas as ações educativas a formação de um jovem autônomo, dotado de bons critérios para fazer escolhas, e solidário. O ser humano é naturalmente vocacionado para ser sujeito de processos emancipatórios. Quando falamos hoje em cidadania, o que imediatamente nos vêm à mente é a idéia de participação em relação ao exercício do poder e em relação à busca do bem comum. A cidadania pressupõe, portanto, não só o acesso pleno a um conjunto fundamental de direitos, por parte do cidadão, como também a liberdade, a autonomia e o dever de exercê-los na busca do bem comum. O direito social à educação é um direito humano. A universalidade e a indivisibilidade dos direitos humanos devem ser compreendidas, sentidas e vivenciadas pela humanidade, como uma atitude básica diante da vida. A Constituição de 1988, nossa Carta Maior, em seu artigo 3o, nos fala da construção de uma sociedade livre, justa e solidária, com...

Em ayapaneco - Ruy Castro

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Leio no Globo que, no México, a língua de uma aldeia está condenada a desaparecer por falta de fluentes -só restam dois homens capazes de falá-la. Mas, embora sejam  vizinhos, eles não se dão e não têm nada a dizer um ao outro. Além disso, já estão com certa idade - 75 e 69 anos- e não transmitiram a língua a seus descendentes. Bastará que um dos dois morra para que ela seja declarada oficialmente extinta. O desaparecimento de uma língua não é um fenômeno incomum. Acontece o tempo todo e em toda parte -em arquipélagos, grotões, montanhas, na selva e até nos guetos das megalópoles. Os motivos são vários: migrações, urbanização, a televisão, a ditadura da língua dominante e até mesmo a proibição de usar a língua nativa. Mas, sempre que uma língua emudece, a humanidade fica mais pobre. A língua em questão é o ayapaneco, da vila de Ayapa, no sul do México. Nos últimos 500 anos, o ayapaneco sobreviveu ao conquistador Hernán Cortés, aos massacres étnicos, às incontáveis revoluções, ao pe...

A minha pátria é a língua portuguesa - Fernando Pessoa

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Gosto de dizer. Direi melhor: gosto de palavrar. As palavras são para mim corpos tocáveis, sereias visíveis, sensualidades incorporadas. Talvez porque a sensualidade real não tem para mim interesse de nenhuma espécie – nem sequer mental ou de sonho -, transmudou-se-me o desejo para aquilo que em mim cria ritmos verbais, ou os escuta de outros. Estremeço se dizem bem. Tal página de Fialho, tal página de Chateaubriand fazem formigar toda a minha vida em todas as veias, fazem-me raivar tremulamente quieto de um prazer inatingível que estou tendo. Tal página, até de Vieira, na sua fria perfeição de engenharia sintáctica, me faz tremer como um ramo ao vento, num delírio passivo de coisa movida. Como todos os grandes apaixonados, gosto da delícia da perda de mim, em que o gozo da entrega se sofre inteiramente. E, assim, muitas vezes, escrevo sem querer pensar, num devaneio externo, deixando que as palavras me façam festas, criança menina ao colo delas. São frases sem sentido, decorrendo...

Um Natal para reflexão - Lya Luft

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"No reduto de nossa casa, dos abraços sinceros, das memórias comovidas, dos bons projetos e do derradeiro otimismo, este é um Natal para repensar muita coisa”. Há dois Natais em cada um de nós: o que sonha e o que sofre, o que concilia e o que corrói, o que se aflige e o que celebra, o que descrê e o que espera, o que cobre a cabeça para não ver e o que fala alto, claro e com fervor. Por acaso – eu, que pouco acredito em acasos – esta coluna vai sair na véspera da véspera de Natal: tema espinhoso, pois há os que cultuam, os que detestam, os que ignoram, os que ficam melancólicos, e todos precisam ser respeitados, todos no mesmo barco da alegria ou do susto, e da geral perplexidade sobre o que fazer, como fazer, quando começar a fazer. Fazer o quê? Refletir, mudar, gritar, amar, comprar ou vender, esperar, talvez morrer. Escrever, no meu caso. Sobre mim, sobre o mundo, sobre este estranho país de contrastes, de desencontros e desencantos, de rala e rara esperança. Não...

O irmão Justiniano - Mario Vargas Llosa

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Aprender a ler é o que de mais importante me aconteceu na vida. Agora que, por culpa do isolamento, leio do amanhecer ao anoitecer, aqueles dias voltam à minha memória com os fantasmas desvanecidos. Lembro com exatidão as dez quadras que existiam entre a casa dos Llosa, na rua Ladislao Cabrera, e o colégio La Salle. Eu tinha cinco anos e, sem dúvida, estava muito nervoso. Naquele dia, o meu primeiro no colégio, eu as percorri com minha mãe, que até me acompanhou à classe e me deixou aos cuidados do irmão Justiniano. Ele me apresentou aos que seriam meus amigos cochabambinos a partir de então: Artero, Román, Gumucio, Ballivián. O mais querido deles, Mario Zapata, o filho do fotógrafo que havia documentado todos os casamentos e primeiras comunhões da cidade, seria morto com uma facada, anos depois, em um bar de Cala-Cala. Como era o garoto mais pacífico do mundo, sempre pensei que sua horrível morte foi por defender a honra de uma jovem. O Irmão Justiniano era um anjo na te...

Henfil e a Criatividade

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  O cartunista Henfil foi convidado para dar um curso de criatividade no Sesc-Pompéia (SP). E, pelo que ele conta aqui, as aulas estão sendo muito criativas. Cheias de boas idéias para escolas que só ensinam a repetição e a incompetência. Não é bem um curso. Mas está sendo uma experiência interessantíssima. A gente fica juntos quatro horas cada sábado, fala-se muito, desenha-se muito pouco. A maior parte dos alunos vem de cursos como Comunicação, Belas Artes, Arquitetura. Não há nenhum ensinamento técnico. O que a gente quer é o desenvolvimento da capacidade de criar. O respeito pela originalidade de cada um. O despertar da potencialidade das pessoas. É quase um trabalho psicanalítico, uma espécie de terapia de grupo. A inspiração é um cachorro preto, um doberman bem aí atrás de você. O tempo todo eu vou dando depoimentos pessoais sobre como é o processo de criar. E aí muitos mitos caem. Por exemplo: que a criatividade é uma genialidade esotérica, uma coisa que, de re...

Como Jornalistas Escolhem Suas Fontes - Stephen Kanitz

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Você sabe como? Deveria. Afinal são nesses veículos de informação que você deveria confiar nessas horas de crise. Provavelmente você acreditava, como eu acreditava, que eles escolhem os melhores especialistas da área para entrevistar. Quarenta anos atrás prestei uma consultoria para a Revista Exame e constatei algo inacreditável. Fui ao Dedoc, o departamento de documentação da Editora Abril, e pedi pela lista dos melhores especialistas na área de consultoria empresarial, e os melhores professores de contabilidade, para ver se eu estava incluído. Descobri que eles não tinham uma lista dos melhores especialistas de todas as áreas do Brasil. Com endereço e telefone, para serem entrevistados quando necessário. O Dedoc, a Veja e a Editora Abril não sabiam quem eram os melhores especialistas em medicina, logística, relações internacionais, economistas, administradores, enfim. Pior, se existisse essa lista ela teria que ser muito bem feita e atualizada anualmente. Cada ...

Coronavírus, a batalha da comunicação - Carlos Alberto Di Franco

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Destaques do artigo A informação é sempre fundamental. E ela precisa ser confiável, clara e segura. Não é hora de grotescos campeonatos de egos e vaidades. Não é o momento de subir na passarela da mídia para desfilar currículos vistosos. Não mesmo. Estamos diante de um dos maiores desafios de comunicação da história. E o jornalismo de qualidade exerce um papel decisivo. Transparência informativa, rigor sem alarmismo e didatismo compõem a chave do sucesso. Quando se escrever a história deste momento da humanidade – único, dramático e transformador – brilhará com força a chama da imprensa de qualidade. Muitos jornalistas estão dedicando a vida e correndo riscos para que você, amigo leitor, possa resguardar sua família com a força da informação correta e bem apurada. Que Deus proteja a todos nós! O coronavírus chegou com tudo. A população está assustada e o pânico é, de longe, o principal aliado do inimigo que pôs o mundo de joelhos, mostrou o tamanho da fragilidade ...